
quinta-feira, maio 31, 2007
terça-feira, maio 29, 2007
FOTOS Márcio Lima
sexta-feira, maio 11, 2007
RICARDO LÍPER - Teatro : Shopping & Fucking

Com produção de Mário Dias chegou ao palco em Salvador Shopping & Fucking de Mark Ravenhill dirigida por Fernando Guerreiro que não precisa apresentação por ser sempre constatação. Vou só destacar alguns aspectos importantes de sua capacidade como diretor de teatro.
Uma delas é sua habilidade de criar um bom espetáculo com um grande nível de profissionalismo, daí sua assinatura ser uma garantia de que não se sairá frustado. Mas o que sempre me chamou atenção é sua imensa sensibilidade na seleção dos atores e como os dirige em cena. Ele por si só é uma escola de teatro. Se morasse noutro país estaria não só rico como teria muito mais reconhecimento do que já tem no Brasil.
O elenco é formado por Celso Júnior, Edvard Passos, Emiliano D'Ávila, Jussilene Santana e Rodrigo Frota. Todos muito bons.
A peça é sobre quatro jovens que vivem compartilhando o mesmo espaço. Sexo e dinheiro alternando sentimentos e poder os tortura. Homens que se relacionam com homens ou mulheres que buscam o amor sob o desespero e angústia de um mundo capitalista, da década de 90, que a atualidade não mudou. Mas é polêmico. Cenas fortes. Diálogos francos e diretos.
No meu entender, o sexo foi reprimido por mais de 4 mil anos a partir do judaísmo. Deixou de ser uma coisa sempre boa uma pessoa dar prazer a outra com seu corpo para ser um pesadelo de culpa, negação e pecado. Alguns escritores ficam presos nessa armadilha. O primeiro passo para se enfrentar essa repressão é sempre o achar bom e bonito. Sob qualquer pretexto e circunstância, um ser humano, gerar, no outro, prazer erótico, mesmo efêmero, com ou sem outros interesses ( isto é irrelevante diante do ato) é muito bonito e basta por si só. Horrível é se negar, também seja sob que pretexto for, esse prazer ao outro.
Desde que não seja pretexto para o assassinato, roubo ou feito sem cuidados podendo gerar doenças, os que enfrentam os 4 mil anos de repressão a essa maneira de fazer o bem ao outro com seu próprio corpo é sempre um anjo. Associá-lo ao desespero, desgosto, violência, complicação e, mesmo até, busca de amor sempre me desagrada. Mas essa é uma opinião pessoal. Fica aberta a polêmica.
O espetáculo é magistralmente bem construído. Não pode se deixar de vê-lo e discuti-lo. A peça pode ser vista até junho no Teatro Moliére da Aliança Francesa.
Ricardo Líper
Jornal Tribuna da Bahia, segunda-feira, 23 de abril de 2007
Dia & Noite
Peças de Teatro de Ricardo Líper na Internet:
quinta-feira, maio 10, 2007
EDUARDA UZÊDA - Drogas,sexo e violência integram o cotidiano da juventude retratada, com acidez, na peça Shopping and Fucking, de Ravenhill

O espetáculo Shopping and Fucking, texto de Mark Ravenhill, direção de Fernando Guerreiro, que está em cartaz no Teatro Molière, Aliança Francesa, de sexta a domingo, é uma crítica severa ao mundo capitalista e globalizado, onde os laços pessoais e afetivos são equiparados a mercadorias de compra e venda.
O texto dá ênfase à uma juventude amoral, destroçada e sem perspectiva, que sem nenhuma ideologia ou questionamento político e social, refugia-se nas drogas, no sexo, nas compras, na música tecno, para tentar sobreviver a um mundo cruel, onde a incerteza sobre o futuro é uma constante e a violência está em toda parte, nos lares e nas ruas, inclusive nas relações amorosas.
Neste panorama, onde a satisfação básica dos instintos é o que conta, vale se prostituir, traficar ou ficar indiferente ao sofrimento do outro. E são esses seres anestesiados, produto descartável de um sistema econômico perverso que Ravenhill quer destacar no texto que instiga pela crítica social e humor cáustico. Apesar de rejeitar o título de teatro político convencional, o discurso de Ravenhill é quase sempre político, comprometido com a realidade.
VERSATILIDADE - O diretor Fernando Guerreiro, que tem provado talento tanto em comédia (Vixe Maria! Deus e o Diabo na Bahia) quanto no drama (Um Bonde Chamado Desejo) costura bem todas as cenas do espetáculo, mostrando as cenas ousadas de homossexualismo com o vigor que o texto exige. É dele, também, a concepção do criativo cenário (executado por Euro Pires) que utiliza um carro, símbolo máximo do consumismo e tecnologia, para discutir as relações afetivas como mercadorias.
O elenco, integrado por Celso Jr (Budro), Jussilene Santana (Os Amantes), Edvard Passos (Raul Seixas - A Metamorfose Ambulante), Emiliano D'Ávila ( Sábado, Domingo e Segunda) e Rodrigo Frota ( Fogo Possesso) se entrega, sem reservas, ao jogo cênico, mas há destaques evidentes em algumas atuações.
A começar por Celso Jr, que tem uma atuação brilhante, iluminando todas as cenas que aparece como um personagem que representa bem a lógica da estrutura capitalista selvagem. Celso constrói Brian, com sutilezas de gestos e expressões, mastigando bem as intenções do texto. Nenhum ato seu é sem propósito. O intérprete também assina a trilha sonora e não decepciona.
TALENTO - A atriz Jussilene Santana, intérprete que cada vez mais se firma na cena teatral pelo talento, também constrói muito bem a personagem Lulu, com uma vivacidade e ritmo que funciona muito no epetáculo.
Outro bom destaque é Emiliano D'Ávila, jovem ator que representa muito bem Gary, garoto que quer ser propriedade de alguém após ser currado pelo padrasto. Uma promessa para o teatro baiano que só o tempo e outras interpretações poderão confirmar.
Rodrigo Frota ( Robbie) e Edvard Passos ( Mark), que, na trama, vivem um triângulo com Lulu ( Jussilene Santana) não são tão convincentes na construção de seus personagens, mas têm bons momentos em cena.
Edvard Passos, como o personagem Mark, o mesmo quer se livrar das drogas e procura evitar o amor, cresce na metade do espetáculo. O padrão vocal não é bom. Já Rodrigo Frota, como Robbie, poderia ser melhor se abandonasse uma certa infantilidade que empresta ao papel. A iluminação de Fábio Espírito Santo é funcional. O figurino é belo, mas para seres tão devassados poderia ser mais representativo. A produção, elogiável, é de Mário Dias.
Eduarda Uzêda
Jornal A Tarde
euzeda@grupoatarde.com.br
quarta-feira, maio 09, 2007
CLODOALDO LOBO - Seres Invólucros vagueiam nas cidades
domingo, maio 06, 2007
Prova dos NOVE - blog
Imperdível. Grandes Atores. Trilha sonora inesquecível, produção impecável, Cenografia de tirar o fôlego e o maior diretor da Bahia em sua melhor forma. Salve Guerreiro!!!
Postado por Erlon Sousa at 18:18
domingo, abril 15, 2007
Comentários de Shopping no blog "putamadrecabron"
A concepção me incomodou muito. E incomoda mais, porque tecnicamente, é tudo muito bom.O espetáculo tem um grande problema: os atores deveriam falar em inglês. Também ajudaria bastante se o teatro fosse em Londres ou Nova Iorque.Shopping & Fucking, de Mark Ravenhill, tradução de Laerte Mello, produção de Mário Dias e Direção de Fernando Guerreiro está em cartaz no Teatro Molière, Aliança Francesa - infelizmente localizado em Salvador, em plena ladeira da Barra - e é um bom espetáculo. Eu aplaudi de pé. E sinceramente.O texto é uma das estrelas da recente dramaturgia inglesa, encenado pela primeira vez em 1996, e agregado ao estilo In-Yer-Face Theatre, algo como "Teatro direto na sua cara". É uma história de drogados com problemas, algo como Trainspotting, mas a história interessa menos. O texto é um discurso de choque. As cenas, os personagens e as situações é que contam. A história é só uma história.Os atores estão muito bem. Celso Jr., nervoso (talvez só nesse dia) mas bem, Rodrigo Frota e Jussilene Santana formam uma excelente dupla, Edvard Passos e Emiliano D'Ávila também. A luz cumpre bastante bem sua função, sem exageros. A trilha sonora poderia ser melhor. O cenário é inacreditavelmente bom, coisa de mágico, posto que não se lê "patrocínio" no programa.Dá gosto de ver um trabalho tão bem feito. O texto é bom, a equipe é boa, o diretor é competente, o cenário é mágica. Porque então a sensação de que algo está errado, do começo ao fim?O último espetáculo de Guerreiro que eu vi foi Um Bonde Chamado Desejo, também no Teatro Molière. Saí com a impressão de ter visto um filme dublado. O mesmo dessa vez. Os personagens no texto original são ingleses, e ao que parece, a idéia da direção foi mantê-los ingleses, lá de Londres, ou Manchester, ou qualquer outro lugar. O resultado é que apesar de tudo muito amarrado, você não acredita nesses personagens, não viaja com eles. É tudo coerente e não é. Difícil acreditar nesses brasileiros, baianos, cearenses, vivendo ingleses. Brancos, loiros, com camisa do Lakers, mascando chiclete e tudo, mas não são ingleses. Não são gringos. E aí alguma coisa fica pela metade. Nenhum deles é o Ewan McGregor e não existe correspondente em português para o sotaque inglês. Adotar o sotaque do Jornal Nacional não ajuda. São gringos que não são gringos. Ou não o suficiente. Fica falso. Uma tradução de voz sem tradução de corpo e a atmosfera fica estranha. E você escuta a mensagem mas ela não te pega, já que em nenhum momento você conseguiu embarcar com os personagens porque tem alguma coisa de alienígena neles.São opções que me incomodam. Mas claramente opções e não erros. Além disso, cenas um pouco mais longas do que precisavam ser, fazem com que você leve um tempo pra pegar o ritmo e o tempo do espetáculo. Nada grave. As cenas de sexo acontecem no limite do "bom gosto", mas não decepcionam. Entre os trunfos, estão as brigas, os ataques verbais, as frustrações, os combates em cena dos personagens que geram momentos espetaculares e mostram o talento do autor, a competência do diretor e o brilhantismo do elenco.Vale ver. No fim do espetáculo, sentia incômodo, por ser tudo muito bom MAS a concepção ser esquisita. Aplaudi de pé, pois vi um trabalho de qualidade. Quem encara o público no fim do espetáculo é o elenco e não o diretor. Aplausos de pé, porque o trabalho deles merece.
08 de abril de 2007
segunda-feira, abril 09, 2007
Shopping and Fucking, no BahiaVitrine
O sexo (quase explícito) nunca foi tratado em nossos palcos de forma tão crua, brutal. E por vezes, masoquista. Shopping & Fucking é o trabalho mais contundente do teatro baiano nos últimos anos. É um espetáculo inteiro com atuações que merecem aplausos.
O texto de Mark Ravenhill nos remete a uma geração sem perspectivas onde somente sexo e dinheiro estão no comando. Um retrato atual ou ficção criada pelo enlouquecido triângulo amoroso Mark (Edvard Passos), Lulu (Jussilene Santana) e Gary (Emiliano D´Ávila) quando traz a cena personagens como Robbbie (Rodrigo Frota) e Brian (Celso Júnior) que ameaçam desestruturar o barato dos três? Não importa. O mais importante é que o espectador mergulha numa viagem visceral. Marcada com uma iluminação que funciona (no caso do piscar dos holofotes) como grito de alerta. Ir mais além pode ser muito perigoso.
Existe algo na peça que lembra filmes como Blade Runner (pela atmosfera sombria quase sufocante) e Assim caminha a humanidade. Aquele carro (cadillac conversível) como cenário parece abrigar as mesmas dores do sempre atormentado James Dean. Seja na vida real do ator ou encarnando personagens em seus filmes. Ambos marcaram gerações diferentes de maneira peculiar. Viraram cult. O mesmo pode acontecer com Shopping & Fucking.
Destaque para as performances de Jussilene Santana (na cena em que comanda relações sexuais por telefone) e Edvard Passos (narrando transa no banheiro de um metrô tendo como parceiras Madonna e Angelina Jolie). Inesquecíveis!
A peça está em cartaz no Teatro da Aliança Francesa, de sexta a domingo.
quinta-feira, março 29, 2007
Mais Comentários de Shopping and F**cking!!!!
quarta-feira, março 28, 2007
Comentário do Caderno Dez! A Tarde: "Sexo, compras e videotapes"
domingo, março 11, 2007
Mário Dias - The Producer

terça-feira, março 06, 2007
TERRITÓRIO DE TODAS AS TRANSAÇÕES I
A peça estréia para convidados e imprensa no dia 15 (quinta-feira), também às 21h. A equipe ainda é composta por Euro Pires, cenografia, Fábio Espírito Santo, iluminação e a dupla de estilistas Soudam e Kavesky, na concepção do figurino. A produção do espetáculo é de Mário Dias. Shopping and Fucking prossegue até 17 de junho todas as sextas e sábados, às 21h, e domingo, às 20h. Os ingressos são R$ 24 e R$ 12 (meia) na sexta e sábado e R$ 20 e R$ 10 (meia), aos domingos.O texto do inglês Mark Ravenhill é um drama que acompanha o cotidiano de um triângulo amoroso e seu envolvimento com o mundo das drogas, do sexo pago e da violência. O espetáculo mostra a série de esquemas em que o grupo se envolve para continuar sobrevivendo numa grande cidade, desde o roubo até à venda de sexo por telefone, entre outras transações. Neste universo onde a fé na condição humana parece estar extinta nada escapa do consumo desenfreado. A questão que perpassa a encenação é: Tudo estará mesmo à venda? Daí que indiretamente se questione se qualquer coisa pode ser objeto de troca, de uma permuta comercial, até mesmo os laços pessoais e sexuais. Neste território onde todas as transas são possíveis, o consumismo substituiria nossos antigos códigos morais?
TERRITÓRIO DE TODAS AS TRANSAÇÕES II

A crítica enérgica presente no texto de Ravenhill, porém, sobreviveu à sua imediata leitura sexual, mesmo passados dez anos. Ao longo da década, Shopping and Fucking foi montada com sucesso de público e crítica nos EUA, Itália, França, Espanha, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Hungria, Lituânia, Estônia e África do Sul, em todos estes países assumindo uma aura de espetá em todos eles assumindo uma aura de espetmediato contesta e chocante. ogo se tornando um grande sucesso e percorrendo vculo cult. Também nestes últimos dez anos, a estética gay foi muito apropriada pela sociedade de consumo, abrandando parte do estranhamento ao tema. O texto já foi encenado no Brasil, em 1999, com direção de Marco Ricca, tendo Silvia Buarque e Rubens Caribé no elenco.
A amoralidade niilista dos personagens de Ravenhill permite mesmo essa leitura mais chocante, mas por outro lado há material em Shopping and Fucking para se perceber um profundo sentido ético no retrato que o autor faz da sociedade capitalista contemporânea. Para ele, a globalização e as atuais forças econômicas tentam fazer em fiapos nossos laços comunitários. Mas, como o próprio Ravenhill afirma: "Há sempre um momento em que minhas personagens reconhecem que têm que cuidar umas das outras".
Celso Jr. – Brian

Jussilene Santana – Lulu

Edvard Passos – Mark

Rodrigo Frota - Robbie

Emiliano d´Avila - Gary

Aluno da Escola de Teatro, que participou de várias montagens didáticas da instituição. Fez nove anos de teatro amador com grupo do Colégio São Paulo. Atuou em Sábado, Domingo e Segunda, com direção de Harildo Deda, entre outras. Fez o microdrama Ponto de Interrogação, com direção de Lino Almeida (POTE-2005).
